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O que é que nos cura?

Autor
Margarida Farias
Data
20 Maio 2017

A vida acelerada não promove só a falsa sensação de importância, o consumismo desenfreado e a superficialidade dos relacionamentos, mas aciona a resposta ao stress, que automaticamente afeta e distorce a perceção temporal. O tempo acelera quando estamos em estado de stress e a sensação de falta de tempo ainda nos stressa mais.

Diz-se que quando um homem tem saúde ele tem mil sonhos, quando perde a saúde ele só tem um sonho. Hoje vivemos mais tempo mas estamos cada vez mais doentes. O que é que nos faz ficar doentes? O que é que nos cura? Os medicamentos ajudam a gerir doenças cronicas ou a aliviar sintomas mas raramente por si só atuam na verdadeira causa e nos curam. E muitas vezes o caminho para a saúde não é atacar o sintoma. Às vezes o caminho para a saúde implica coisas tão simples e tão difíceis como o desacelerar e abrandar.
O ritmo do mundo e da vida estão cada vez mais acelerados; as coisas estão de tal modo distorcidas que já consideramos o viver a alta velocidade como normal. Somos estimulados com música e imagens rápidas, series da TV aceleradas, comemos depressa, queremos net mais rápida, aceitamos a exigência da resposta imediata imposta pela globalização, estamos sempre muito ocupados e com falta de tempo…,enfim, fomos perdendo o nosso ritmo natural. Lembram-se da história da lagosta colocada numa panela em água fria? Há um novo normal disfuncional porque fomos aumentando o estímulo devagar o suficiente, fomo-nos habituando a este ritmo frenético e ainda não percebemos que o lume está aceso… Não fomos criados para viver a este ritmo, nem a esta velocidade. Esta exigência de rapidez é contranatura, automatiza-nos, não nos permite reparar no que está á volta, nem sentir… tira-nos da nossa humanidade e empurra-nos para vidas vazias e desprovidas de sentido.

 

A vida acelerada não promove só a falsa sensação de importância, o consumismo desenfreado e a superficialidade dos relacionamentos, mas aciona a resposta ao stress, que automaticamente afeta e distorce a perceção temporal. O tempo acelera quando estamos em estado de stress e a sensação de falta de tempo ainda nos stressa mais…. O estado prolongado e quase contínuo de stress debilita o sistema imunitário impede a manutenção e reparação dos órgãos e tecidos corporais, diminui a capacidade metabólica, etc, etc, etc.
É imperativo inserir tempos de pausa nas nossas vidas e o devagar tem que se tornar o novo “sexy”. Devagar significa convidar o relaxamento, o ouvir, o reparar, o prazer, o confiar, a consciência, a presença e a sabedoria corporal de volta á nossa vida. Estamos sempre a tempo de saltar da panela… Quando paramos percebemos que a sabedoria geralmente vem sob a forma de simplicidade e muito do que nos cura vem do domínio pessoal e não apenas dos remédios e suplementos.

 

Quando lemos em revistas médicas americanas, que pela primeira vez na História da nossa evolução a geração americana atual vai viver menos que a geração que lhe deu origem, isso leva-nos a refletir. Temos que reformular a maneira como vivemos, como nos alimentamos, e o próprio conceito de saúde e doença. Muitas vezes não estamos doentes, mas também não estamos com aquele vigor, energia, vitalidade e entusiasmo de quem goza de saúde plena. Curar não significa só que o sintoma desapareceu e às vezes os sintomas não podem desaparecer até que uma cura mais profunda e interior aconteça.

 

Eis as respostas que um grupo de pessoas deu, durante um momento de pausa, á pergunta: o que é que nos cura?

Amor-próprio, ter tempo, honestidade, ouvir, compreensão, compaixão, perdão, natureza, perspetiva, curiosidade, riso, energia, criatividade, entrega, fé, estar presente, dança, comunicação, dormir, crianças, viajar, férias, estar num relacionamento, não estar num relacionamento, esperança, acupuntura, massagens, mudança, comunidade, musica, animais, ervas, sexo, diversão, apoio, quando exprimo quem sou, descansar, gostar do trabalho, cantar, aprender, andar descalço, movimento…

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  • Autor Margarida Farias
  • Data 20 Maio 2017
  • Resumo

    A vida acelerada não promove só a falsa sensação de importância, o consumismo desenfreado e a superficialidade dos relacionamentos, mas aciona a resposta ao stress, que automaticamente afeta e distorce a perceção temporal. O tempo acelera quando estamos em estado de stress e a sensação de falta de tempo ainda nos stressa mais.

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